A história dos primeiros carros híbridos: Armstrong, Lohner-Porsche e Woods
Descubra a história dos carros híbridos desde 1896: Armstrong Petrol-Electric, Lohner-Porsche Semper Vivus e Woods Dual-Power. Pioneiros do híbrido em série.
A história dos carros híbridos não começou com o Toyota Prius. Muito antes de o emblema híbrido virar presença comum nas ruas, engenheiros já tentavam combinar a força da gasolina com a tração elétrica para resolver uma questão bem prática: como garantir usabilidade e autonomia que a tecnologia inicial não conseguia oferecer com uma única fonte de energia.
Um dos primeiros exemplos documentados é o Armstrong Petrol-Electric Hybrid, de 1896. Segundo o Museu Louwman, trata-se do automóvel híbrido a gasolina e eletricidade mais antigo, e sua ficha parece antecipar soluções que a indústria só abraçaria muito tempo depois: partida elétrica, câmbio semiautomático, avanço/atraso de ignição automáticos e até embreagem acionada eletricamente, entre outros recursos. Apesar do arrojo técnico — detalhamento que hoje soa surpreendentemente familiar —, a ideia não virou negócio. O museu aponta que a empresa construiu apenas uma unidade, e o conceito se mostrou inviável comercialmente.
Na Europa, outra linha importante passa por Ferdinand Porsche e o sistema Lohner-Porsche. Materiais históricos da própria Porsche destacam um desenvolvimento híbrido inicial no qual um motor a gasolina servia como fonte móvel de eletricidade para o trem de força, enquanto a propulsão podia ser feita por motores elétricos, inclusive com motores elétricos instalados nos cubos das rodas. Algumas referências descrevem esse arranjo de forma compatível com o que hoje chamamos de híbrido em série, no qual o motor não tem ligação mecânica com as rodas e se dedica a gerar energia. A Porsche também informa que cerca de 300 veículos foram construídos com o sistema Lohner-Porsche, em aplicações que iam além de proprietários particulares e incluíam usos como táxis e serviços públicos — um alcance que ajuda a dimensionar a ambição do projeto.
Nos anos 1910, a ideia híbrida passou a ser apresentada nos Estados Unidos como caminho para conquistar um público mais amplo. O museu The Henry Ford descreve o Woods Dual-Power Hybrid Coupe, de 1916, como uma tentativa de entregar o melhor dos dois recursos, com baterias e gasolina movimentando o carro. Na prática, o mercado não comprou a promessa. O museu relata que o modelo — e a própria empresa — desapareceram por volta de 1918.
Vistos em conjunto, esses casos iniciais revelam um padrão nítido: o pensamento híbrido nunca foi apenas uma moda recente. Ele nasceu da busca por compromissos viáveis em uma época de limites técnicos rígidos. Os primeiros híbridos não viraram mainstream, mas a ideia central resistiu — e voltaria adiante, em um cenário tecnológico diferente, finalmente com condições para escalar.
Allen Garwin
2025, Dez 08 17:04