Apenas 8% dos condutores evitam distrações ao volante

Distração ao volante: 8% evitam, mas maioria se distrai
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Estudo revela que 92% dos motoristas se distraem ao dirigir, com hábitos rotineiros como comer e usar GPS. Conheça os riscos e estatísticas de acidentes.

Apenas 8% dos condutores afirmam evitar todas as distrações ao volante — embora a maioria admita perder regularmente a concentração e ainda assim acredite ser mais atenta que os outros. Esta é a principal conclusão de um novo estudo da Mercury Insurance que destaca uma lacuna entre o comportamento real e a autopercepção entre os motoristas norte-americanos.

Em média, os entrevistados confessaram ter realizado dez ações distintas de distração no último ano. Estas vão muito além do uso do smartphone. Hábitos cotidianos dominam a lista — beber, comer, ajustar o GPS, atender chamadas em viva-voz ou simplesmente se perder em pensamentos pessoais. Alguns dos comportamentos mais comuns parecem rotineiros: quase 80% bebem enquanto dirigem, e cerca de 70% ajustam a navegação ou pegam objetos dentro do veículo.

Este detalhe importa porque os condutores subestimam amplamente o risco. Entre aqueles que relataram mais de 20 ações de distração, 69% ainda se consideram mais atentos que o motorista médio. No geral, 68% acreditam que podem realizar múltiplas tarefas com segurança durante a condução.

As consequências são mensuráveis. Segundo a Administração Nacional de Segurança no Trânsito nas Rodovias dos EUA (NHTSA), a condução distraída continua a causar milhares de mortes por ano. Em 2023, 3.275 pessoas morreram e mais de 324.000 ficaram feridas em acidentes envolvendo distração. Dados preliminares para 2024 ainda apontam para mais de 3.200 fatalidades. As autoridades também observam que tais casos provavelmente são subnotificados, pois a distração nem sempre é registrada após um acidente.

A distração não se limita ao uso do telefone. Os especialistas distinguem entre distração visual, manual e cognitiva — o que significa que os condutores podem desviar o olhar, tirar as mãos do volante ou simplesmente perder o foco mental. Até mesmo os sistemas de viva-voz não eliminam o risco, pois não reduzem a carga cognitiva.

Padrões semelhantes aparecem fora dos EUA. Na Alemanha, estudos mostram que mais da metade dos condutores se envolve regularmente em comportamentos de distração, com taxas superiores a 70% entre os motoristas mais jovens. Ao mesmo tempo, muitos tendem a atribuir situações perigosas aos outros em vez de às suas próprias ações, reforçando a mesma lacuna de excesso de confiança.

Os resultados da Mercury sugerem que o perigo real não está em comportamentos extremos raros, mas em hábitos rotineiros que os condutores já não percebem como arriscados. Combinados com um excesso de confiança persistente, estas distrações cotidianas permanecem um fator-chave que molda os resultados da segurança rodoviária.

Allen Garwin

2026, Abr 14 18:18