Júri do Novo México responsabiliza a Michelin por falha de pneu; indenização de US$ 220 milhões
Júri do Novo México condena a Michelin por falha do pneu LTX M/S2 que levou a acidente fatal com um Ford Excursion; indenização recorde de US$ 220 milhões.
Um júri do Novo México proferiu um dos veredictos de responsabilidade por produto mais marcantes da história automotiva recente, determinando que a Michelin North America pague US$ 220 milhões em uma ação por morte por negligência decorrente de um acidente fatal envolvendo um Ford Excursion.
O acidente ocorreu em 2021, numa rodovia rural do Condado de Gaines, no Texas. De acordo com as conclusões do tribunal, uma falha catastrófica no pneu dianteiro do lado do motorista fez o SUV de grande porte invadir a pista contrária, onde colidiu com um veículo pesado que rebocava um trailer. A batida tirou a vida de três membros da mesma família: a esposa do motorista, a filha e a neta adolescente.
Os jurados atribuíram 100% da culpa à Michelin, rejeitando o argumento da empresa de que o pneu teria sido danificado durante o uso. No centro do caso estava um pneu Michelin LTX M/S2; os autores sustentaram que defeitos de projeto e de fabricação levaram a uma separação violenta da banda de rodagem. A leitura do painel foi a de que o problema nasceu no produto, e não na sua vida em serviço.
Embora o pneu tivesse cerca de sete anos à época do acidente e acumulasse aproximadamente 70.000 milhas — números frequentemente citados em diretrizes gerais de substituição — o júri entendeu que esses fatores não superavam as evidências apresentadas sobre a condição do componente quando saiu de fábrica. O veredicto sinaliza que idade e quilometragem, por si sós, não foram consideradas explicações suficientes para a falha.
Materiais de referência citados na discussão mais ampla sobre segurança de pneus destacam que compostos de borracha podem degradar com o tempo, independentemente do desgaste visível. Orientações do setor, tanto de entidades americanas quanto europeias, costumam recomendar inspeções mais criteriosas após cinco anos de uso e substituição após dez. Ainda assim, neste processo, o foco permaneceu nos supostos defeitos e não no envelhecimento natural. Entre entusiastas e profissionais, costuma-se tratar pneus como itens de desgaste; casos como este lembram que são componentes de engenharia críticos para a integridade do veículo.
A Michelin indicou que pode tentar reverter o veredicto em apelação. Enquanto isso, a linha de pneus LTX M/S2 permanece no mercado. Observadores do meio jurídico apontam que o tamanho da indenização pode influenciar ações futuras envolvendo componentes automotivos, reforçando o escrutínio sobre o desempenho de longo prazo dos produtos e sobre a responsabilidade dos fabricantes quando falhas resultam em consequências fatais. Pelo tamanho e pelo simbolismo, o resultado tende a repercutir por toda a cadeia automotiva.
Mark Havelin
2025, Dez 25 06:54