Como o design retrô reconquista o mercado automotivo em 2025
Renault 5, Ford Capri, Fiat 500e, ID. Buzz e Land Cruiser mostram como design retrô e marketing de herança aproximam elétricos do público com inovação.
O design automotivo de inspiração retrô deixou de ser um exercício pontual de estilo para virar estratégia consistente. Em 2025, as montadoras recorrem cada vez mais ao próprio passado — não para copiá-lo, mas para reinterpretá-lo. Silhuetas familiares, nomes ressuscitados e referências visuais a décadas anteriores servem de ponte com um público cansado de elétricos sem rosto e ávido por vínculo emocional.
Exemplo claro é o Renault 5 E-Tech Electric. Nos materiais oficiais, a Renault define o carro como de design retrofuturista e sublinha a linhagem visual que remete ao Renault 5 dos anos 1970. A proposta vai além da aparência. A marca explica que a plataforma AmpR Small foi desenvolvida para sustentar uma visão de design forte, em vez de obrigar os estilistas a se curvarem a limitações técnicas pré-existentes. Aqui, o passado vira ponto de partida, não amarra.

A Ford segue lógica parecida com a volta do nome Capri, um dos mais reconhecíveis da sua história. Em 2025, a marca não apenas resgatou a denominação na comunicação, como a respaldou com ações industriais concretas. O início da montagem em massa de conjuntos de bateria para os elétricos Capri e Explorer na fábrica de Colônia mostra que a lembrança afetiva vem acompanhada de infraestrutura de produção totalmente atual.

A Fiat leva a ideia adiante ao transformar a herança em diálogo de design. O 500e Giorgio Armani Collector’s Edition foi apresentado como colaboração entre o Centro Stile da Fiat e a equipe da Armani. Aqui, a nostalgia atua na preservação das linhas históricas do modelo, enquanto moda e contexto cultural adicionam outra camada. Materiais para o mercado alemão detalham elementos palpáveis — cores exclusivas, acabamentos de interior e detalhes de marca — dando lastro de produto a essa narrativa de legado.

O Volkswagen ID. Buzz ocupa um papel especial nessa corrente. Frequentemente descrito como reinterpretação moderna do clássico Microbus, mostrou ser mais do que metáfora. Avaliações apontam que o veículo literalmente atrai gente ao redor, em grande parte porque muitos têm lembranças pessoais ligadas ao Microbus original. Ao mesmo tempo, análises recentes encaram de frente os pontos fracos, como preço, autonomia e compromissos no interior. A memória puxa os olhares, mas não blinda o produto de um escrutínio necessário.
A Toyota adota um caminho mais contido, porém igualmente deliberado. Em seus materiais do 2026 Land Cruiser, a companhia enfatiza a continuidade com uma herança off-road considerada lendária desde a estreia do modelo nos EUA, em 1958. A chegada da versão Land Cruiser 1958, com faróis circulares e grade histórica com o nome TOYOTA soletrado, reforça como as referências visuais ao passado seguem centrais para a identidade da marca, mesmo enquanto o veículo evolui tecnologicamente.
Esse movimento também encontra apoio em pesquisas acadêmicas. Estudos sobre marketing de herança observam que, na era da eletrificação, as marcas usam o legado como ponte entre ontem e amanhã. Os mesmos trabalhos alertam, porém, que a nostalgia só funciona quando vem acompanhada de sinais críveis de avanço. Sem esse equilíbrio, o retrô corre o risco de virar ornamento, e não identidade.
Resultado: em 2025, o design retrô fala menos em voltar no tempo e mais em reconstruir com cuidado. As montadoras recorrem a formas e nomes conhecidos para reduzir a barreira psicológica diante das novas tecnologias e tornar os elétricos mais convidativos. Pelo volume de lançamentos recentes e pelas reações do público, a estratégia ganha tração; sua sustentação no longo prazo, no entanto, depende menos da saudade em si e mais de quão convincente é a integração entre passado e presente.
Allen Garwin
2025, Dez 30 09:14